O desafio da produtividade para o crescimento

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Em algumas das últimas décadas do século passado, tínhamos carga tributária razoável (até 25% do PIB), poupança interna menos defasada, crescimento da produtividade e taxa de investimento adequados, o que nos permitiu, por vários anos, sermos um dos países de maior crescimento do mundo. Nos últimos tempos, todavia, temos apresentado taxas de crescimento decepcionantes, aparentemente presos no que se convencionou chamar de armadilha de renda média. Essa armadilha, contudo, tem explicações.

Pesquisa feita pelo professor Fernando Veloso, do Ibre/FGV, constatou que, de 1950 a 1980, a produtividade no Brasil cresceu, em média, 3,5% ao ano (a.a.), taxa que caiu para 0,5% a partir de 1980 e para (–) 0,3% a partir de 2010. Certamente, a principal causa dessa queda de produtividade é o crescente processo de transferência de riqueza do setor privado, incluindo famílias, para o setor público no período.

O estudo mostra ainda que, mesmo apresentado produtividade superior a de outros setores, a indústria brasileira (US$ 19.389 por trabalhador/ano, contra US$ 15.814 do setor de serviços e US$ 4.779 da agropecuária) apresenta cifra 5,7 vezes inferior dos Estados Unidos (US$ 89.318). Por outro lado, pesquisa do Ipea aponta que no período 1995-2009 a produtividade do trabalho no Brasil cresceu no acumulado 13,6%, contra 226,8% na China.

Entre os fatores de produção, no que se refere ao componente trabalho, o crescimento do PIB em alguns países da América Latina, e, especialmente, no Brasil, nos últimos 15 anos, se deveu especialmente à incorporação de novos contingentes da população ao mercado de trabalho e só 22% ao aumento da produtividade. Enquanto isso, nos países asiáticos, 86% do crescimento se deveu ao crescimento da produtividade e só 14% ao aumento do emprego. O impacto dessas diferenças na competitividade e no crescimento dos dois blocos de países é de conhecimento geral. E aqui, em nossa região, o Peru apresentou, no período analisado, crescimento médio de produtividade de 3,2% a.a., o que explica o fato de ter sido o país de maior crescimento econômico.

Para que o Brasil possa manter a modesta taxa média de crescimento no período de 2000 a 2015, de 2,7% a.a., teremos que, segundo estudo da consultoria McKinsey, triplicar o desempenho da nossa produtividade. O que, convenhamos, não será nada simples, considerando que a taxa de investimento está ao redor dos 15% do PIB, menor patamar da série histórica (contra 19,5% da África do Sul, 25,6% da Rússia, 31,4% da Índia e 44% da China, para ficarmos nos Brics) e a carga tributária tem beirado os 35% do PIB e pressionada pelo descontrole das contas públicas, especialmente dos gastos obrigatórios como a Previdência. A análise dos problemas nos aponta a lição de casa a fazer.

 

Publicado no Diário Catarinense em 23/09/17.

Autor: Carlos Rodolfo Schneider

Bacharel e Mestre em Administração pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), dirige hoje o grupo H. Carlos Schneider, composto pelas empresas – Ciser Parafusos e Porcas, Ciser Automotive, Hacasa Empreendimentos Imobiliários, Intercargo Soluções Logísticas, Agropecuária Parati, RBE e FCF.   Enquanto presidente da Associação Empresarial de Joinville (ACIJ), de 2009 a 2011, Carlos Schneider lançou o Movimento Brasil Eficiente – MBE. O movimento busca estimular a eficiência da gestão pública, a redução da carga de impostos e a simplificação do sistema tributário. Registra a adesão de mais de 130 entidades empresariais e não empresariais de todo o país, além de intelectuais e governos. Além de coordenador nacional do MBE é membro, entre outros, do Conselho Superior de Economia da FIESP, do Fórum Estratégico da Indústria Catarinense – FIESC, do Conselho Político e Social da Associação Comercial de São Paulo, e do Comitê de Lideres da Mobilização Empresarial pela Inovação da Confederação Nacional da Indústria - CNI.  Foi cônsul honorário da Colômbia para Santa Catarina (1996 a 2003), diretor-presidente da Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A. e presidente do Conselho de Administração da Celesc , de 2003 a 2005. Em 2010, recebeu da Câmara de Vereadores, a outorga de Cidadão Benemérito de Joinville.

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