Maior o problema, e a solução?

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A sabedoria popular aponta que a redução do nível do rio faz aparecer pedras, obstáculos. A conjugação de três fatores expôs as pedras do preço dos combustíveis no país: o aumento do preço do barril de petróleo no mercado internacional, a forte variação cambial ocorrida nas últimas semanas e a correta blindagem da Petrobras em relação à manipulação política ocorrida no governo anterior. As pedras, por sua vez, são a alta carga tributária que incide sobre os combustíveis e a dificuldade do governo de minimamente administrar a oscilação desses preços por falta de uma poupança que deveria ter sido criada durante o boom das commodities. Os extraordinários ganhos com o ciclo áureo das matérias-primas na década passada foram destinados ao aumento de gastos públicos, e pior, permanentes. O Brasil fez certo em criar um robusto fundo de reservas internacionais que nos protege em algum grau de crises externas, mas não criou superávit primário para enfrentar as internas. Quando um problema como a greve dos caminhoneiros aparece, o governo não tem munição para resolvê-lo, e transfere a conta de quem pressiona mais para quem pressiona menos.

A solução passa necessariamente pelas reformas, pela redução e pelo aumento da eficiência do gasto público. As consequências são igualmente nocivas para quem perde o controle das suas contas, seja uma família, uma empresa ou o país. O atual governo vinha evoluindo bem nessa agenda de mudanças necessárias. Mas foi paralisado na principal delas, que é a da Previdência, responsável pelo maior rombo nas contas públicas.

Quando um país gasta 20% do PIB para manter a máquina pública e o governo não consegue investir 2% para que a sociedade tenha boa infraestrutura e bons serviços públicos, algo está errado. A solução não é de curto prazo. Enquanto isso, não é admissível que um setor ou categoria queira resolver o seu problema às custas do restante da sociedade. Os caminhoneiros não foram parte da solução, e sim do problema. Ou melhor, agravaram o problema.

 

Artigo publicado em 11.06.2018 no Jornal A Tarde (BA).

Autor: Carlos Rodolfo Schneider

Bacharel e Mestre em Administração pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), dirige hoje o grupo H. Carlos Schneider, composto pelas empresas – Ciser Parafusos e Porcas, Ciser Automotive, Hacasa Empreendimentos Imobiliários, Intercargo Soluções Logísticas, Agropecuária Parati, RBE e FCF.   Enquanto presidente da Associação Empresarial de Joinville (ACIJ), de 2009 a 2011, Carlos Schneider lançou o Movimento Brasil Eficiente – MBE. O movimento busca estimular a eficiência da gestão pública, a redução da carga de impostos e a simplificação do sistema tributário. Registra a adesão de mais de 130 entidades empresariais e não empresariais de todo o país, além de intelectuais e governos. Além de coordenador nacional do MBE é membro, entre outros, do Conselho Superior de Economia da FIESP, do Fórum Estratégico da Indústria Catarinense – FIESC, do Conselho Político e Social da Associação Comercial de São Paulo, e do Comitê de Lideres da Mobilização Empresarial pela Inovação da Confederação Nacional da Indústria - CNI.  Foi cônsul honorário da Colômbia para Santa Catarina (1996 a 2003), diretor-presidente da Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A. e presidente do Conselho de Administração da Celesc , de 2003 a 2005. Em 2010, recebeu da Câmara de Vereadores, a outorga de Cidadão Benemérito de Joinville.

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