Dispensamos a contribuição da indústria

Post-13

O Relatório Geral de Competitividade Global 2016-2017, do Fórum Econômico Mundial, indica que o Brasil perdeu seis posições em relação ao levantamento anterior, passando para o 81º lugar entre 138 países avaliados. Entre os Brics, África do Sul ocupa a 47ª posição, a Rússia a 43ª, a Índia, avançando 16 lugares, chegou ao 39º lugar e a China mantém a melhor posição, a 26ª. Desde 2012, nós já perdemos 33 posições na competitividade internacional, e em algumas rubricas estamos muito mal na fotografia: desperdício de dinheiro público (125ª), deterioração do ambiente macroeconômico (126ª) e desvio de dinheiro público (135ª). E a falta de competitividade desestimula fortemente os investimentos privados, criando um círculo vicioso que gera recessão.

A indústria de transformação certamente é a maior vítima dessa recessão. O seu peso médio no valor adicionado total (PIB) no primeiro semestre de 2016 caiu para 10,9%, de 15% em 2010 e 17,4% em 2005. Isso significa, segundo estudo do professor Nelson Marconi, da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EESP-FGV), que no período 2005-2010, a economia brasileira cresceu não em torno do centro dinâmico da atividade produtiva, e, sim, apoiada em segmentos de baixa produtividade do setor de serviços como o comércio, que inclusive contribuem proporcionalmente menos para a arrecadação de impostos. Essa perda de relevância do setor industrial, segundo Marconi, ajuda a explicar a recessão e a própria crise fiscal.

Yoshiaki Nakano, diretor da EESP-FGV, lembra bem que as empresas só investem se conseguirem enxergar, no longo prazo, um retorno razoável e destaca a importância também de um câmbio competitivo e, especialmente, estável. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), por outro lado, aponta os investimentos da indústria em 2015 e 2016 foram os menores desde 2010. E o seu presidente, Robson Braga de Andrade, ressalta que “obstáculos tributários e trabalhistas travam o espírito empreendedor e retiram condições de se produzir mais e de gerar empregos de qualidade”.

Portanto, as políticas públicas dos últimos anos, ou a falta delas, têm feito encolher fortemente a indústria de transformação, um dos setores com maior potencial para ofertar empregos de qualidade e contribuir para o aumento da nossa produtividade e para o crescimento da economia do país.

 

Publicado no Jornal Diário Catarinense e A Notícia em 07.04.2017

Autor: Carlos Rodolfo Schneider

Bacharel e Mestre em Administração pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), dirige hoje o grupo H. Carlos Schneider, composto pelas empresas – Ciser Parafusos e Porcas, Ciser Automotive, Hacasa Empreendimentos Imobiliários, Intercargo Soluções Logísticas, Agropecuária Parati, RBE e FCF.   Enquanto presidente da Associação Empresarial de Joinville (ACIJ), de 2009 a 2011, Carlos Schneider lançou o Movimento Brasil Eficiente – MBE. O movimento busca estimular a eficiência da gestão pública, a redução da carga de impostos e a simplificação do sistema tributário. Registra a adesão de mais de 130 entidades empresariais e não empresariais de todo o país, além de intelectuais e governos. Além de coordenador nacional do MBE é membro, entre outros, do Conselho Superior de Economia da FIESP, do Fórum Estratégico da Indústria Catarinense – FIESC, do Conselho Político e Social da Associação Comercial de São Paulo, e do Comitê de Lideres da Mobilização Empresarial pela Inovação da Confederação Nacional da Indústria - CNI.  Foi cônsul honorário da Colômbia para Santa Catarina (1996 a 2003), diretor-presidente da Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A. e presidente do Conselho de Administração da Celesc , de 2003 a 2005. Em 2010, recebeu da Câmara de Vereadores, a outorga de Cidadão Benemérito de Joinville.

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